nsa_mentores_bezerra_menezesAdolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831, na antiga Freguesia de Riacho do Sangue, atual Jaguaretama, estado do Ceará. Em 1842 foi com a família para o Rio Grande do Norte, onde, aos 11 anos, iniciou o curso de Humanidades com extraordinário proveito: aos 13 anos dominava o latim a ponto de substituir o professor desta matéria quando o mestre não podia comparecer às aulas.

Com o objetivo de estudar Medicina, viajou para o Rio de Janeiro com dinheiro oferecido por parentes (400 mil réis), dado que, a esse tempo, a situação financeira de sua família era precária. Chegou ao Rio com apenas 18 mil réis, subsistindo, depois, com o dinheiro que ganhava com aulas de Humanidades, que dava a colegas e jovens eventualmente interessados. Ainda estudante, em 1852 ingressou no hospital da Santa Casa de Misericórdia na qualidade de praticante interno, ao tempo que passava horas estudando em bibliotecas públicas porque não tinha meios de adquirir os caros compêndios de Medicina.

Formou-se aos 25 anos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1858 assumiu o posto de tenente-cirurgião do Exército. Na mesma ocasião era eleito membro da Academia Imperial de Medicina, bem assim da Academia Nacional de Medicina, ali exercendo, por quatro anos, o cargo de redator dos Anais da Entidade.

Casou-se em 1861 com Maria Cândida de Lacerda, com a qual teve um casal de filhos. Cinco anos depois ficou viúvo, unindo-se posteriormente em segundas núpcias com Cândida Augusta Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira esposa, com quem teve mais cinco filhos.

Em 1886 assumiu em público sua adesão ao Espiritismo. Se dedicou tanto à prática da caridade e da doutrina espírita que foi apelidado de Kardec Brasileiro. Durante sete anos manteve uma coluna doutrinária no Jornal O Paiz.

Presidente da Federação Espírita Brasileira a partir de 1894, morreu em 11 de abril de 1900, de um ataque de congestão cerebral.

Fez carreira na política, foi reeleito várias vezes e dedicou-se a atividades empresariais mas foi como Médico que Bezerra de Menezes se projetou no panteão das mais extraordinárias celebridades nacionais. Alma boníssima, exerceu a caridade com notável proficiência. De tudo o que ganhava, mal tirava o suficiente para o pão de cada dia, que o mais distribuía entre os pobres. A maior parte, a quase totalidade de suas consultas eram gratuitas, sobretudo por que dava atendimento às camadas mais carentes da população do Rio de Janeiro, e daí o cognome que o glorificou: Médico dos Pobres.

No exercício de sua benemérita carreira de médico devotado ao trabalho sob a bandeira de Deus, Cristo e Caridade redigiu uma contundente profissão de fé, da qual damos aqui um célebre resumo:

“Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito lhe bate a porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro; o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem com o pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro, esse não é medico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única gorjeta que podia saciar a sede de riqueza de seu espírito, a única que jamais se perderá nos vai-e-vens da vida”.